Rotação de culturas

Manter a terra fértil ano após ano

Data
c. 700 a.C.
Época
Antiguidade
Etapa
II Fixação
Dificuldade
Legenda
  1. 1Trigo de inverno
  2. 2Favas e ervilhas
  3. 3Pousio pastado por ovelhas
  4. 4Monte de estrume
  5. 5Nódulos na raiz de uma fava
  6. 6Camadas de uma pilha de composto

A rotação de culturas muda de um ano para o outro o que cresce num campo e recorre ao pousio, ao estrume e às leguminosas para devolver à terra o que as colheitas lhe tiram. Mantém o solo fértil e deixa sem alimento as pragas de cada cultura; na Europa, passou-se de um ano de descanso em cada dois para rotações sem qualquer pousio.

O que é

Semeado todos os anos com a mesma planta, um campo tende a render menos se não lhe devolverem os nutrientes. As raízes tiram os mesmos nutrientes do mesmo solo, e as pragas dessa cultura encontram o hospedeiro à espera em cada primavera. A rotação de culturas muda o que cresce em cada parcela de ano para ano, segundo um ciclo planeado.

Anda a par com o pousio, uma estação sem cultura; com o estrume e o composto, que devolvem ao solo dejetos e restos vegetais; e com as leguminosas, como a fava, a ervilha ou o trevo, que trazem azoto tirado do ar. A prancha mostra uma quinta com três folhas de cultivo e a sua estrumeira. À direita, a raiz de uma fava aparece ao lado da de um trigo, por cima de uma pilha de composto aberta.

Como funciona

Além de água e ar, as plantas precisam de nutrientes minerais do solo, três deles em grande quantidade. O azoto forma as proteínas e as folhas; um cereal que não o tem amarelece. O fósforo serve as raízes e as sementes. O potássio retém a água nas células e mantém os caules direitos. Cada saco de grão que sai da quinta leva uma parte dos três.

Um pé de ervilha arrancado com as raízes, com pequenos nódulos alongados e um nódulo cortado ao meio Nódulos numa raiz de ervilha. Um nódulo ativo é rosado ou vermelho por dentro.

O azoto é o primeiro a faltar, embora o ar seja em cerca de quatro quintos azoto gasoso: as plantas não conseguem usar esse gás. As leguminosas conseguem, com a ajuda de bactérias do solo, os rizóbios. Estas instalam-se em pequenas saliências das raízes, os nódulos, e transformam o azoto do ar em amoníaco; a planta faz proteínas com ele e, em troca, alimenta as bactérias com açúcares. Quando raízes e caules apodrecem, ou quando a cultura é enterrada verde, boa parte desse azoto passa para a cultura seguinte. Um trevo violeta ou branco bem instalado pode fixar cerca de 85 a 225 kg de azoto por hectare por ano; uma cultura curta ou fraca, muito menos.

O fósforo e o potássio não vêm do ar; voltam com o estrume, o composto, a urina e as cinzas.

Mudar de cultura trava também as doenças e pragas próprias de uma só família de plantas: sem hospedeiro durante alguns anos, a maioria recua. Algumas duram muito mais. Os esporos da hérnia das crucíferas, que ataca couves e nabos, podem ficar no solo até 20 anos, e a podridão-branca da cebola pelo menos 15, por isso num solo infetado é melhor deixar de cultivar os seus hospedeiros. O pousio não traz azoto, mas permite lavrar as ervas daninhas e serve de pasto.

Como se faz

Ferramentas: uma pá ou um arado, uma forquilha e tábuas para uma caixa.

Dividir o terreno. Marcar quatro parcelas do mesmo tamanho e repartir as culturas por quatro grupos, com as plantas aparentadas juntas: leguminosas (ervilhas, favas, feijões); couves, couve-galega, nabos e rabanetes; batatas e tomates; cebolas e raízes (alho-francês, cenouras, beterrabas, pastinacas).

Avançar cada grupo uma parcela por ano. Uma ordem habitual: leguminosas, couves, batatas, depois cebolas e raízes. As couves seguem as leguminosas para aproveitar o azoto que deixam no solo.

Semear adubo verde na terra nua. Depois de uma colheita precoce, semear um adubo verde e enterrá-lo ainda tenro, algumas semanas antes da cultura seguinte. O trevo, a ervilhaca e a fava forrageira são leguminosas: semeiam-se onde virão as couves, não onde estão previstas ervilhas e favas.

Um compostor de tábuas aberto à frente, com camadas verdes, castanhas e de terra, de onde sobe vapor Uma pilha que trabalha bem fumega numa manhã fria.

Montar a pilha de composto. Em terra nua, à meia-sombra, armar uma caixa com cerca de um metro de lado. Alternar camadas de uns 15 cm de material verde e tenro (relva, restos de legumes, estrume fresco de herbívoros) e de material castanho e seco (palha, folhas secas, cartão), com pelo menos tanto castanho como verde. Juntar de vez em quando um pouco de terra e manter a pilha húmida como uma esponja espremida.

Revolver e vigiar o calor. Espetar um termómetro comprido no centro. Uma pilha que se mantém vários dias a 55 °C ou mais mata muitos germes e sementes de ervas daninhas, mas só o centro aquece tanto: sempre que arrefecer, passar com a forquilha a parte de fora para o meio e deixar a pilha voltar a aquecer. O composto está pronto quando está escuro, granuloso e cheira a terra de bosque, ao fim de alguns meses a mais de um ano.

Usar o estrume com cuidado. Espalhar o estrume de vaca, cavalo, ovelha, cabra ou aves no outono e enterrá-lo, nunca sobre plantas em crescimento.

Segurança. O estrume fresco traz germes como E. coli e salmonelas. Um estrume que parece bem curtido, e o composto caseiro que o contém, ainda os podem ter, porque uma pilha caseira nunca aquece por igual: devem ser ambos tratados como estrume fresco. Espalhá-los pelo menos 120 dias antes de colher as plantas cuja parte comestível toca o solo ou pode receber salpicos de terra com a chuva ou a rega, como alface, cenoura ou morango, e pelo menos 90 dias antes das outras colheitas. Nunca pôr fezes de cão, gato, porco ou humanas numa horta nem no seu composto. Lavar as mãos com sabão depois de mexer em estrume ou composto e antes de tocar nos alimentos, e lavar os legumes com água potável. Grávidas, crianças pequenas, idosos e pessoas imunodeprimidas não devem comer crus os legumes de um solo estrumado.

História e evolução

Os isótopos de azoto de grãos carbonizados de 13 sítios neolíticos, da Grécia à Grã-Bretanha, mostram que os agricultores já estrumavam as culturas por volta de 6000 a.C.

O conselho de Hesíodo sobre o pousio, por volta de 700 a.C., é um dos textos mais antigos que chegaram até nós sobre o tema e dá a data a esta prancha. Varrão, em 37 a.C., descreve tremoços ou favas semeados em solo pobre e enterrados quando começam a formar vagens, em vez do estrume. Um século depois, Columela considera o tremoço enterrado tão bom como o melhor estrume, mas duvida que as favas colhidas pelo grão enriqueçam a terra.

Na China, o Qimin Yaoshu, um manual agrícola concluído por volta de 544 d.C. por Jia Sixie, manda mudar todos os anos a cultura dos campos de milho-painço e aponta o feijão-mungo e o feijão-azuki como as melhores culturas a fazer antes dele.

Entre o Loire e o Reno, muitos domínios francos passaram, no fim do século VIII e no IX, de duas folhas, com metade da terra a descansar cada ano, para três: cereal de inverno, depois aveia, cevada, ervilhas e favas semeadas na primavera, e depois pousio. A sementeira de primavera precisa de chuvas de verão, por isso o sistema ficou a norte dos Alpes.

Ovelhas fechadas atrás de caniços de vime, a comer nabos no campo Fechadas sobre os nabos, as ovelhas comem a colheita onde ela cresce e estrumam a terra para a cevada que se segue.

Mais tarde, as culturas forrageiras substituíram o pousio. A rotação quadrienal de Norfolk, do século XVIII, associada a Charles Townshend, alternava trigo, nabos, cevada e trevo. O historiador económico Robert Allen atribui às plantas fixadoras de azoto cerca de metade da subida dos rendimentos de cereais ingleses entre a Idade Média e a Revolução Industrial.

Em 1838, Jean-Baptiste Boussingault verificou que o trevo e a ervilha ganhavam azoto num solo sem matéria orgânica, ao contrário do trigo e da aveia. Em 1886, Hermann Hellriegel e Hermann Wilfarth ligaram esse ganho aos nódulos e aos seus micróbios, e em 1888 Martinus Beijerinck isolou a bactéria.


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